GASTRENTEROLOGIA

A Gastrenterologia, muitas vezes, abreviada de “Gastro”, é a especialidade da medicina responsável pelo diagnóstico e tratamento das doenças do aparelho digestivo. O aparelho digestivo inclui o tubo digestivo formado pelo esófago, estômago, intestino delgado e intestino grosso (também designado de cólon e reto), e as glândulas anexas: fígado, vesícula biliar e pâncreas.
Conheça, aqui, algumas das principais patologias relacionadas com os órgãos do aparelho digestivo. Reconheça os principais sinais e sintomas e veja fotos das doenças mais comuns. Descubra também os principais e mais modernos exames e tratamentos em gastrenterologia e endoscopia digestiva.

O que é obstipação?

A obstipação intestinal, também vulgarmente conhecida como prisão de ventre ou intestino preso ou “preguiçoso”, é uma condição comum que afeta pessoas de todas as idades e que pode ter um significado diferente para diferentes indivíduos.

Habitualmente refere-se a dejeções pouco frequentes (empiricamente, o diagnóstico de obstipação poderá ser colocado se o número de dejeções for inferior a três vezes por semana), mas também pode traduzir uma diminuição no volume ou peso das fezes, uma dificuldade para evacuar, com necessidade de fazer força (“puxar”) para esvaziar incompletamente o reto (por exemplo, provocada pela existência de fezes duras e/ou grossas) ou, ainda, pela necessidade do uso de clisteres, supositórios ou outros laxantes para manter a regularidade do trânsito intestinal.

A obstipação pode ocorrer em bebés, crianças e adultos. Estima-se que cerca de um em cada sete adultos e até um em cada três crianças poderá vir a sofrer de obstipação em qualquer momento.
A condição afeta duas vezes mais mulheres do que homens e também é mais comum em adultos mais velhos e durante a gravidez.

Obstipação crónica

Cerca de 80% das pessoas sofrerão de obstipação em algum momento das suas vidas, na maioria das vezes transitoriamente.

A gravidade da obstipação varia de pessoa para pessoa. Muitas pessoas só experimentam obstipação por um curto período de tempo – obstipação aguda , mas para outros, a obstipação pode constituir uma condição de longo prazo (obstipação crónica) que causa dor significativa e desconforto, transformando-se num grave e duradouro problema, com implicações importantes na qualidade de vida.

Causas da obstipação

A obstipação geralmente ocorre quando as fezes permanecem no cólon (intestino grosso) por muito tempo, onde é absorvida muita água, fazendo com que estas se tornem duras e secas, dificultando a sua circulação, expulsão.

Muitas vezes, é difícil identificar a causa exata, podendo existir várias causas, possivelmente simultâneas, responsáveis pela obstipação.
No entanto, há uma série de fatores que contribuem para a condição, incluindo:
» Ingestão insuficiente de fibras, como frutas, legumes e cereais;
» Ingestão insuficiente de líquidos;
» Uma mudança na rotina ou estilo de vida, como uma mudança nos hábitos alimentares;
» Estilo de vida sedentário / falta de exercício;
» Falta de privacidade para usar a casa de banho;
» Ignorar repetidamente desejo de defecar;
» Efeitos secundários de certos medicamentos;
» Ansiedade, stress ou depressão;
» Gravidez.

Medicamentos que provocam obstipação

Muitos medicamentos como analgésicos, antidepressivos, tranquilizantes, anti-hipertensores, diuréticos, suplementos de ferro e de cálcio, antiácidos contendo alumínio, anti psicóticos (medicamentos para tratar a esquizofrenia e outras doenças mentais), analgésicos opiáceos como codeína e morfina, podem causar ou agravar a obstipação.

Adicionalmente, muitas pessoas que verdadeiramente não são obstipadas, podem tornar-se dependentes de laxantes, numa tentativa pouco recomendada de terem dejeções diárias, provocando a si próprios danos através deste abuso de laxantes.

Obstipação na gravidez


Cerca de duas em cada cinco mulheres experimentam obstipação durante a gravidez, principalmente durante as fases iniciais da gestação.

O corpo da mulher grávida e puérpera (pós-parto) produz mais a hormona feminina progesterona, que atua como um relaxante muscular. O intestino move normalmente as fezes e resíduos para o ânus, através de um processo conhecido como peristaltismo. Isto é, quando os músculos que revestem o intestino se contraem e relaxam num movimento ondulante. Um aumento na progesterona torna mais difícil a contração dos músculos do intestino, tornando mais difícil a mobilização das fezes.

Outras condições

Em casos raros, a obstipação pode ser um sinal de uma condição subjacente, tais como: doenças auto-imunes como a esclerodermia, lúpus, ou ser consequência de doenças dos sistemas nervosos ou endócrino, como as doenças da tiróide, a esclerose múltipla, doença de Parkinson, AVC e lesões da medula.

Doenças que afetam o intestino, como o síndrome do intestino irritável, a doença de Crohn (uma condição que provoca inflamação crónica dos intestinos), o cancro do cólon e reto, ou mesmo a presença de uma fissura anal – um pequeno corte ou úlcera na pele dentro do ânus, podem também estar na origem ou agravamento da obstipação.

Obstipação infantil ou em crianças

A obstipação em bebés e crianças é bastante comum. Estima-se que até um em cada três crianças possa vir a sofrer de obstipação a qualquer momento. A má alimentação, o medo de defecar e falta de treino dos hábitos de utilização da casa de banho estão, muitas vezes, entre os fatores responsáveis.

Além de evacuações irregulares, uma criança com obstipação também pode ter qualquer um dos seguintes sintomas associados:

» Perda de apetite;

» Falta de energia;

» Irritação, indisposição, tristeza;

» Distensão abdominal;

» Flatulência e fezes com mau cheiro;

» Dor, desconforto abdominal.

Em alguns casos raros, a obstipação em recém-nascidos, bebés e crianças de meses ou anos, pode ser um sinal de doenças subjacentes, tais como:
» A doença de Hirschsprung – que afeta a inervação do intestino, dificultando a passagem das fezes;
» Malformação anorretal – onde o reto e o ânus do bebé não se formam corretamente;
» Anormalidades da medula espinhal – incluindo condições raras, como espinha bífida e paralisia cerebral;
» Fibrose cística – uma condição genética que faz com que o corpo produza muco espesso e pegajoso, o que pode levar a obstipação.

Sintomas na obstipação

Quando se sofre de obstipação, a defecação torna-se mais difícil e menos frequente do que o habitual, levando a uma acumulação anormal de fezes e de gases no interior do intestino.
Esta acumulação provoca uma série de sinais e sintomas, entre os quais uma sensação de distensão (“inchaço”) e em alguns casos pode mesmo provocar dor abdominal, de ligeira a intensa, com características de moedeira ou mesmo cólica.

Quando as fezes são muito duras e/ou grossas, pode ser difícil a sua emissão através do ânus, causando, muitas vezes, dor anal e, em alguns casos, pode ser a causa de fissura anal (“corte” na pele do canal anal) ou mesmo hemorragia retal.

A obstipação grave pode levar à acumulação de substâncias tóxicas no organismo, o que pode causar uma indisposição geral e perda de apetite.
Também é frequente que nos casos de obstipação arrastada, a pessoa registe um aumento de peso (engorda).

Diagnóstico da obstipação

Como a obstipação pode ter múltiplas causas, é fundamental identificá-las corretamente, para que o tratamento seja o mais adequado e específico possível.
Sendo uma condição muito comum, na maior parte dos casos em que não há sintomas de alarme, o seu médico não necessita de efetuar quaisquer testes ou procedimentos, e confirmará um diagnóstico baseado nos seus sintomas e na sua história clínica.

Assim, o seu médico far-lhe-á algumas perguntas sobre a sua dieta, nível de exercício e se houve alguma mudança recente nas suas rotinas. Analisará os seus hábitos intestinais, sendo fundamental que não se sinta envergonhado em discutir isso, pois só assim será possível fazer o diagnóstico correto e excluir alguns sinais ou sintomas de alarme que poderão levar a investigação.

Um exame físico típico começará com o doente deitado de costas, enquanto o médico palpa o seu abdómen (barriga). Posteriormente, se indicado, deitar-se-á de lado, enquanto o médico realiza um exame retal (toque retal), usando uma luva com lubrificante. Com este exame é possível avaliar a presença de lesões a esse nível ou sentir impactamento fecal.

Se tal for necessário, procurar-se-ão causas anatómicas e funcionais, para as quais existem vários exames que podem ser efetuados.
Se estiver com sintomas graves, o seu médico poderá solicitar outros exames, como exames de sangue ou testes de tiróide, para diagnosticar ou descartar outras condições.

Outros testes que podem ser realizados incluem:

» uma radiografia abdominal – onde a radiação de raios X é usada para produzir imagens do interior do abdómen;
» exame de tempo de trânsito – onde após a toma uma série de cápsulas especiais que aparecem em raios-X, várias radiografias são realizadas em determinados momentos, para ver quanto tempo demora para as cápsulas passarem através do seu sistema digestivo;
» manometria anorretal – onde uma pequena sonda com um balão numa extremidade é inserido no reto, permitindo medir a pressão de contração e relaxamento dos esfíncteres anais e avaliar o seu funcionamento;
» a realização de uma colonoscopia ou de um clister opaco com duplo contraste, poderá ajudar a excluir ou confirmar causas anatómicas responsáveis pela obstipação, como pólipos, tumores ou divertículos.
» Em muitas circunstâncias não se identifica a causa da obstipação, sendo então, a obstipação considerada não-específica ou primária.

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